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2 etiquetas de ar-condicionado e os R$ 118,80 por ano entre elas

Como transformar o kWh por mês da etiqueta do Inmetro em reais por ano e escolher entre dois modelos ainda na loja.

Duas caixas de ar-condicionado lado a lado na prateleira de uma loja.

Duas caixas, duas etiquetas, um corredor

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Uma caixa de ar-condicionado de R$ 2.399, outra de R$ 2.999, uma etiqueta colorida colada em cada uma. Os três itens dividem o mesmo corredor da loja, e a etiqueta é a única peça ali que fala da conta de luz dos próximos anos.

As duas caixas prometem 12.000 BTUs (unidade britânica de calor, a medida de quanto calor o aparelho tira do cômodo por hora). Na prática, dão conta do mesmo quarto de casal, com a janela de frente para o sol da tarde. A capacidade igual torna a comparação justa: o mesmo trabalho, feito por duas máquinas diferentes.

O vendedor fala de controle remoto, de modo silencioso, de filtro antibactéria. Ninguém no corredor fala do número que vai aparecer todo mês, durante anos, na fatura da distribuidora.

Esse número está impresso na etiqueta do Inmetro (Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia), a faixa de cores com letras de A a E que todo ar-condicionado vendido no Brasil precisa trazer na caixa.

Nas duas caixas do corredor, a etiqueta mostra o consumo em kWh (quilowatt-hora, a unidade que o medidor da casa registra) por mês. A caixa mais barata marca 32. A mais cara marca 21.

Onze kWh por mês parecem pouco escritos num papel colado no papelão. Multiplicados pela tarifa e pelos doze meses do ano, viram dinheiro que dá para contar em notas.

E tem um detalhe que muda a decisão: depois que o aparelho está na parede, o consumo dele fica preso ao modelo escolhido. Você pode ligar menos horas, subir a temperatura, fechar a cortina. A diferença de fábrica entre as duas caixas continua lá, em toda hora de uso.

Assim, o tamanho da conta do ar-condicionado se decide, em boa parte, no corredor, com a caixa ainda fechada. A leitura começa pela etiqueta, campo por campo.

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I  Fatura Linha a Linha

O número da etiqueta que importa na loja

A etiqueta do Inmetro para ar-condicionado segue um formato fixo, definido pelo Programa Brasileiro de Etiquetagem (o PBE, que testa e classifica aparelhos que gastam energia). Todo modelo vendido no país passa pelo mesmo ensaio de laboratório antes de ganhar a faixa colorida.

No topo vêm a marca, o modelo e o tipo do aparelho. Logo abaixo, a escala de letras: A em verde-escuro para os mais eficientes, E em vermelho para os que gastam mais energia para entregar o mesmo frio.

A letra ajuda, mas não basta para comparar. Dois aparelhos classe A podem ter consumos diferentes, porque a letra mostra a eficiência em faixa, e a faixa é larga.

A letra diz em que turma o aparelho está. O kWh por mês diz quanto ele cobra. Para comparar dois modelos, olhe o número, não a cor.

Os 4 campos da etiqueta que entram na conta

• Consumo de energia em kWh por mês, o número que vai virar reais

• Capacidade de refrigeração em BTUs por hora, que precisa ser igual nos dois modelos para a comparação valer

• Índice de eficiência, o IDRS (Índice de Desempenho de Resfriamento Sazonal, quanto frio o aparelho entrega para cada unidade de energia ao longo de um ano típico)

• Tecnologia do compressor, quando o fabricante informa: convencional ou inverter (motor que muda a velocidade conforme a temperatura do cômodo, em vez de ligar e desligar o tempo todo)

A capacidade vem antes de tudo. Comparar um aparelho de 7.500 BTUs com outro de 12.000 é comparar quartos diferentes: o menor gasta menos porque faz menos, e vai trabalhar no limite num cômodo grande demais para ele.

O consumo mensal da etiqueta vem de um ensaio padronizado, com horas de uso e temperatura de referência fixadas pelo Inmetro. A sua casa vai usar o aparelho de outro jeito, então o número absoluto erra para cima ou para baixo.

Para comparar, o erro não atrapalha. Os dois modelos do corredor passaram pelo mesmo ensaio, e a diferença entre eles se mantém na proporção quando o uso real muda.

No par da loja, 32 contra 21 kWh por mês quer dizer que o modelo mais caro gasta cerca de um terço a menos para entregar o mesmo frio. Essa proporção acompanha o aparelho pela vida inteira dele.

A diferença vem quase toda do compressor. O convencional trabalha em liga e desliga: arranca a pleno, esfria o quarto, para, e arranca outra vez quando a temperatura sobe. O inverter reduz a velocidade quando o quarto chega perto da temperatura marcada e segue rodando devagar, sem os picos de partida.

 
 

II  Bandeira do Mês

A bandeira cobra mais caro de quem comprou pior

O preço do kWh muda de cor ao longo do ano. A bandeira tarifária é o acréscimo que a ANEEL (Agência Nacional de Energia Elétrica) põe sobre cada kWh quando gerar energia fica mais caro, quase sempre em meses de reservatório baixo nas hidrelétricas.

São quatro patamares: verde, sem acréscimo; amarela; vermelha patamar 1; vermelha patamar 2. A cor vale para todo mundo atendido pela rede e incide sobre cada kWh que o medidor registra.

Segundo a tabela da ANEEL em vigor em 2025, a vermelha patamar 2 soma R$ 7,87 a cada 100 kWh consumidos. O acréscimo é por unidade, e por esse detalhe ele pesa diferente nos dois aparelhos do corredor.

No modelo de 32 kWh por mês, a vermelha patamar 2 acrescenta R$ 2,52. No de 21 kWh, acrescenta R$ 1,65. A bandeira cobra mais justamente do aparelho que já gastava mais.

A bandeira multiplica o consumo, não se divide por igual. Cada kWh a mais que a etiqueta mostra paga também o acréscimo do mês vermelho.

O calor que coincide com a bandeira cara

O ar-condicionado trabalha mais nos meses quentes, de dezembro a março na maior parte do país. A bandeira vermelha tende a aparecer na seca, entre julho e novembro, quando os reservatórios baixam.

Os dois períodos se encostam na primavera, quando o calor já chegou e a chuva ainda não encheu as represas. Em outubro de 2024, a ANEEL acionou a vermelha patamar 2, e quem ligou o ar nas primeiras noites quentes pagou o acréscimo cheio sobre cada kWh do aparelho.

A Tarifa Branca também conversa com a etiqueta. Nessa modalidade opcional da ANEEL, o kWh custa mais no horário de ponta (as três horas do começo da noite definidas por cada distribuidora) e menos no resto do dia.

Ar-condicionado de quarto costuma ligar justamente no começo da noite. Na Tarifa Branca, cada kWh de diferença entre os modelos cai na faixa mais cara do dia, e a vantagem do aparelho de menor consumo cresce junto.

1. Na loja, anote o kWh por mês das duas etiquetas, só entre modelos com a mesma capacidade em BTUs

2. Em casa, procure na fatura a bandeira aplicada e a modalidade tarifária, convencional ou branca

3. Subtraia o consumo menor do maior: a diferença é o número que a bandeira e o horário de ponta vão multiplicar

 

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III  Quanto em R$

A conta de 5 anos que paga o inverter

Os valores desta seção usam premissas declaradas, porque cada distribuidora cobra a sua tarifa: R$ 0,90 por kWh com impostos, bandeira verde, dois aparelhos de 12.000 BTUs com etiquetas de 32 e 21 kWh por mês e o uso de referência do ensaio. Troque cada número pelo da sua fatura e da etiqueta que você tem na frente.

O modelo convencional: 32 kWh vezes R$ 0,90 dá R$ 28,80 por mês. Em doze meses, R$ 345,60.

O modelo inverter: 21 kWh vezes R$ 0,90 dá R$ 18,90 por mês. Em doze meses, R$ 226,80.

A diferença, aberta linha por linha:

• Diferença mensal, 11 kWh vezes R$ 0,90: R$ 9,90

• Diferença em 12 meses de bandeira verde: R$ 118,80

• Diferença em 12 meses de vermelha patamar 2: R$ 129,19

• Diferença em 10 anos de uso, bandeira verde e tarifa parada: R$ 1.188

O inverter custa R$ 600 a mais na loja e devolve R$ 118,80 por ano na fatura. Em cerca de 5 anos de uso, a diferença de preço volta para o bolso.

A conta muda com o uso real da casa. Se o seu quarto liga o ar o triplo do regime do ensaio, a diferença mensal sobe para 33 kWh, R$ 29,70 por mês e R$ 356,40 por ano, e o modelo mais caro se paga em menos de 2 anos.

Se o aparelho vai para um quarto de hóspedes que liga dez noites por ano, a diferença encolhe e o modelo barato pode sair na frente. A etiqueta não decide sozinha: ela entra numa conta com o seu uso.

A conta de bolso na frente da prateleira

• Pegue a diferença de kWh por mês das duas etiquetas

• Multiplique pela tarifa com impostos da sua fatura, impressa perto do quadro de consumo

• Multiplique por 12 para ter os reais por ano

• Divida a diferença de preço das duas caixas pelo valor anual: o resultado é o número de anos para o modelo caro se pagar

Ar-condicionado de parede costuma ficar muitos anos instalado. Se a conta de bolso dá menos de cinco anos, o modelo de menor consumo devolve a diferença com folga e segue economizando até ser trocado.

“Qual é a diferença em kWh por mês entre as duas etiquetas que você está olhando?”

Hoje: abra a página de uma loja, escolha dois aparelhos de ar-condicionado com os mesmos BTUs, anote os 2 números de kWh por mês das etiquetas e multiplique a diferença pela tarifa da sua última fatura e por 12. Em 10 minutos você tem, em reais por ano, o tamanho da escolha.

 
 
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Segundo a etiqueta do Inmetro nas duas caixas do corredor, qual o consumo mensal de cada modelo, em kWh?

A28 kWh contra 18 kWh por mês
B32 kWh contra 21 kWh por mês
C21 kWh contra 12 kWh por mês
D35 kWh contra 24 kWh por mês

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