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8 horas de ferro de passar e quanto a pilha custa na conta

Como achar o ferro na fatura, ler a etiqueta de 1.200 watts e transformar a pilha de roupa em reais.

Um ferro de passar de pé sobre a tábua, ao lado de uma pilha de camisas.

O ferro de pé na tábua, ainda na tomada

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Uma camisa social, uma calça de linho, um lençol de casal. As três peças esperam na mesma pilha, e cada uma segura o ferro quente por um tempo diferente antes de ir para o cabide.

O ferro de passar comum puxa 1.200 watts da tomada. A potência vem gravada na base do aparelho ou na caixa, ao lado da voltagem, e coloca o ferro na turma do chuveiro e do micro-ondas: poucos minutos ligados pesam como horas de lâmpada.

A conta parece pequena porque ninguém passa roupa o dia inteiro. Uma sessão de domingo, outra no meio da semana, uma camisa às pressas antes de sair. Somadas no calendário, viram horas que a fatura cobra sem separar por aparelho.

E tem a parte que quase ninguém conta: o tempo parado. Você estica a peça seguinte, procura o cabide, atende o celular, e o ferro segue na tomada, de pé sobre a tábua, segurando a temperatura da chapa.

Quem segura essa temperatura é o termostato, uma peça que desliga a resistência quando a chapa esquenta e religa quando ela esfria. A luzinha do ferro mostra o vaivém: acesa, a resistência está puxando energia; apagada, está descansando.

Com o termostato, o ferro não consome 1.200 watts em todo segundo da sessão. Mas cada pausa longa obriga a resistência a repor o calor perdido para o ar, e a sessão que se arrasta gasta mais que a sessão corrida com a mesma pilha.

Oito horas de ferro no mês é uma casa comum: duas horas por semana, divididas em duas ou três sessões. Esse número cabe em reais com uma multiplicação, e cabe também na leitura da fatura que chega todo mês.

A pilha de roupa tem preço. Ele começa a aparecer no campo de consumo da fatura, onde o ferro se esconde junto com o resto da casa.

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I  Fatura Linha a Linha

Onde o ferro aparece no consumo da casa

A fatura de luz não lista aparelho. Ela mostra um número só, o consumo em kWh (quilowatt-hora, a unidade que o medidor registra), que é a diferença entre a leitura atual e a anterior do medidor.

Dentro desse número estão a geladeira, o chuveiro, a televisão e o ferro de passar, sem divisória. Para achar o ferro, você parte da etiqueta do aparelho e faz o caminho de volta até a fatura.

A conversão de watts em kWh tem uma regra só: divida a potência por 1.000 e multiplique pelas horas de uso. O ferro de 1.200 watts vira 1,2 kW, e uma hora ligada consome 1,2 kWh.

Watts dizem quanto o aparelho puxa por instante. kWh dizem quanto ele gastou no mês. A fatura cobra só o segundo número.

Os 4 lugares da fatura que contam a história do ferro

• Consumo do mês em kWh, o total da casa no período lido

• Histórico de consumo, o gráfico de barras com os últimos 12 meses, que mostra se a casa gastou mais em algum mês

• Dias de consumo, o período coberto pela leitura, que muda o total quando a fatura tem 33 dias no lugar de 29

• Tarifa por kWh com tributos, o preço de cada unidade, que inclui ICMS (imposto estadual sobre a energia) e PIS/Cofins (contribuições federais)

O histórico de 12 meses é o mais útil para o ferro. Mês de festa, de volta ao trabalho presencial ou de uniforme escolar costuma subir algumas barras, e a pilha de roupa entra nessa conta.

Oito horas de ferro somam 9,6 kWh no mês. Numa casa que consome 200 kWh, o ferro responde por perto de 5% da fatura, uma fatia parecida com a de uma televisão ligada quatro horas por dia.

A etiqueta também mostra o tipo de ferro. O seco trabalha com a chapa quente e nada mais. O ferro a vapor tem reservatório de água e costuma vir com potência maior, porque a resistência aquece a chapa e transforma a água em vapor na mesma sessão.

Um ferro a vapor de 2.000 watts, nas mesmas oito horas, chega a 16 kWh. A pilha é a mesma; o modelo do aparelho mudou o tamanho da fatia na conta da casa.

 
 

II  Bandeira do Mês

A bandeira que pesa na sessão das 19h

O preço do kWh que a fatura imprime não fica parado o ano inteiro. Um dos motivos tem cor: a bandeira tarifária, o acréscimo por kWh que a ANEEL (Agência Nacional de Energia Elétrica) aplica quando gerar energia fica mais caro.

São quatro patamares: verde, sem acréscimo; amarela; vermelha patamar 1; vermelha patamar 2. A ANEEL anuncia a cor do mês seguinte nos últimos dias de cada mês, e a fatura traz a bandeira aplicada impressa perto da tarifa.

Segundo a tabela da ANEEL em vigor em 2025, a vermelha patamar 2 soma R$ 7,87 a cada 100 kWh consumidos. Sobre os 9,6 kWh do ferro, o acréscimo fica em R$ 0,76 no mês.

O valor é pequeno para o ferro sozinho, e a bandeira vale para a casa inteira. A sessão de passar roupa só acompanha o resto da conta quando o mês fica vermelho.

Tarifa Branca, o relógio dentro do preço

Existe uma segunda forma de o preço mudar, e ela depende da hora. A Tarifa Branca é uma modalidade opcional da ANEEL em que o kWh custa menos na madrugada e no meio do dia, e custa mais no horário de ponta (as três horas do começo da noite em que o país inteiro liga aparelhos).

Cada distribuidora define as suas três horas de ponta, quase sempre entre 17h e 22h, e publica os horários no site e na fatura de quem aderiu. Fim de semana e feriado nacional ficam com o preço baixo o dia todo.

Para quem está na Tarifa Branca, a sessão das 19h numa quarta-feira é a mais cara possível para o ferro. A mesma pilha passada no sábado de manhã cai na faixa barata.

Para quem continua na tarifa convencional, o horário não muda o preço na fatura. A Tarifa Branca só compensa quando a casa consegue tirar do começo da noite boa parte do consumo pesado, como banho, ferro e máquina de lavar.

1. Procure na fatura o campo da modalidade tarifária, que diz se a casa está na convencional ou na branca

2. Se estiver na branca, anote as três horas de ponta que a distribuidora imprime

3. Mude a sessão de passar roupa para fora dessas três horas, de preferência no sábado ou no domingo

Na Tarifa Branca, o ferro custa conforme o relógio. Na convencional, custa conforme o tempo ligado. Nas duas, a pausa longa entre peças entra na conta.

 

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III  Quanto em R$

Os R$ 8,64 da pilha de roupa

Os valores desta seção usam premissas declaradas, porque cada distribuidora tem tarifa própria: tarifa de R$ 0,90 por kWh com impostos e bandeira verde, ferro seco de 1.200 watts e oito horas de uso no mês. Troque cada número pelo da sua fatura e da sua etiqueta.

A conta pela potência cheia: 1,2 kW vezes 8 horas dá 9,6 kWh. Vezes R$ 0,90, a pilha de roupa custa R$ 8,64 no mês.

O termostato puxa o número real um pouco para baixo, porque a resistência descansa enquanto a luzinha está apagada. A conta cheia serve de teto: o ferro da sua casa gasta até esse valor, nunca acima dele.

As contas, abertas linha por linha:

• Consumo do ferro, 9,6 kWh vezes R$ 0,90: R$ 8,64

• Bandeira vermelha patamar 2 sobre 9,6 kWh: R$ 0,76 a mais, total de R$ 9,40

• Doze meses em bandeira verde: R$ 103,68

• Ferro a vapor de 2.000 watts, mesmas 8 horas: 16 kWh e R$ 14,40 no mês

O ferro de 1.200 watts, oito horas por mês, custa R$ 8,64 na bandeira verde e R$ 103,68 no ano. O preço cresce com cada hora em que ele fica na tomada sem roupa na tábua.

A fatia que se corta sem passar menos roupa é o tempo morto. Cada sessão começa com três ou quatro minutos de aquecimento. Quem passa uma camisa por dia, todo dia, aquece o ferro 30 vezes no mês.

Trinta aquecimentos de três minutos somam hora e meia de ferro sem roupa na tábua. São 1,8 kWh e R$ 1,62 por mês pagos só para a chapa chegar à temperatura.

A ordem da pilha que encurta a sessão

• Separe as peças por temperatura antes de ligar o ferro, sintéticas de um lado, algodão e linho do outro

• Comece pelas sintéticas, que pedem a chapa morna, e suba o botão aos poucos até o linho

• Deixe tudo à mão: cabides, borrifador e a pilha inteira ao lado da tábua

• Desligue o ferro antes das três ou quatro últimas peças leves e termine com o calor que ficou na chapa

Juntar a roupa da semana numa sessão só corta os aquecimentos de 30 para quatro. Pendurar a roupa esticada no varal reduz o vinco e encurta o tempo de cada peça na tábua.

“Quantas horas o ferro da sua casa fica na tomada por mês, contando as pausas?”

Hoje: na próxima sessão de passar roupa, cronometre uma vez do momento em que liga o ferro até o momento em que tira da tomada, e anote os minutos. Multiplique pelo número de sessões do mês e por 0,02 kWh por minuto para ter o consumo do ferro em kWh.

 
 
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Pelas premissas da edição (ferro seco de 1.200 watts, oito horas de uso no mês, potência cheia, tarifa de R$ 0,90 por kWh e bandeira verde), quanto a pilha de roupa custa no mês?

AR$ 0,76
BR$ 9,60
CR$ 8,64
DR$ 1,08

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