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A casa vazia paga 30 kWh que não consumiu
O custo de disponibilidade cobra 30 kWh na monofásica, 50 na bifásica e 100 na trifásica, mesmo com o consumo medido em 12 kWh.
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O medidor parado na casa fechada
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Doze quilowatt-hora. Foi tudo o que o medidor de uma casa fechada registrou no ciclo inteiro de leitura, com a geladeira desligada, o portão trancado e ninguém entrando pra nada.
A fatura que chegou no fim do mês cobrou trinta. Não é erro de leitura, não é vazamento de corrente e não é multa por nada: é a regra escrita que manda cobrar um piso de energia de toda unidade ligada à rede, tenha ela consumido esse piso ou não.
O nome dessa linha é custo de disponibilidade. Ela paga o direito de ter a rede parada na sua porta, esperando, pronta pra entregar energia no segundo em que alguém girar um interruptor.
O piso não é o mesmo pra todo mundo. Ele depende de um detalhe técnico da sua ligação que quase nenhum morador sabe de cabeça e que está impresso na própria fatura, na linha que informa o tipo de ligação da unidade.
Quem tem dois fios entrando no padrão paga o piso mais baixo. Quem tem três paga quase o dobro. Quem tem quatro paga o mais alto de todos, e a diferença entre o primeiro caso e o último passa de setenta reais por mês numa casa que ficou vazia.
Na casa fechada desta edição, a ligação é a mais simples que existe no país e o piso cobrado foi de trinta quilowatt-hora. Com a tarifa em oitenta centavos por quilowatt-hora, a conta de consumo fechou em vinte e quatro reais.
Os doze quilowatt-hora medidos valeriam nove reais e sessenta centavos. Os outros catorze reais e quarenta centavos são o preço de manter a ligação viva, e eles aparecem no mesmo campo de energia elétrica, misturados ao consumo real, sem uma linha separada dizendo o que são.
Existe um ponto em que essa cobrança deixa de ser inevitável e vira uma decisão sua. Casa de praia, imóvel alugado que ficou vazio, ponto comercial fechado e sítio usado três vezes por ano pagam esse piso doze vezes por ano sem que ninguém repare.
E existe um segundo ponto, mais delicado, que atinge quem instalou placas solares e achou que a conta iria a zero. Ela não vai, e a razão está exatamente na mesma regra.
Antes de decidir qualquer coisa, vale entender de onde vem esse piso e por que ele tem três tamanhos diferentes.
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I Fatura Linha a Linha
O piso que a ligação cobra mesmo parada
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O mínimo faturado, o tipo da ligação e o que sobra pra decidir.
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A rede na sua porta custa dinheiro pra existir, esteja você usando ou não. A regulação transforma esse custo fixo em um mínimo de energia faturada por mês, e o tamanho desse mínimo depende de quantos fios entram no seu padrão.
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Manter uma unidade ligada à rede tem custo mesmo quando ninguém consome nada. Poste, transformador, cabo, medidor, leitura mensal e a equipe de plantão pra religar a energia depois de um temporal continuam existindo no mês em que a casa ficou trancada.
A regulação do setor elétrico decidiu cobrar esse custo em forma de energia, não em forma de taxa. Em vez de uma linha chamada assinatura, a fatura simplesmente considera um consumo mínimo e cobra ele pela tarifa vigente.
A consequência prática é direta. Quem consome acima do mínimo nem percebe que ele existe, porque paga pelo que gastou. Quem consome abaixo paga o mínimo e a diferença desaparece dentro da linha de energia elétrica.
O tamanho do mínimo acompanha o porte da ligação. Ligação maior significa mais infraestrutura dedicada à unidade, transformador mais robusto e cabos de maior seção, e o piso sobe na mesma lógica.
A ligação monofásica é a mais comum em casa residencial pequena. Ela tem dois condutores entrando no padrão, um fase e um neutro, e o piso dela é o menor dos três.
A bifásica tem três condutores, duas fases e um neutro, e costuma aparecer em casa média com chuveiro elétrico potente ou com ar-condicionado em mais de um cômodo.
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A trifásica tem quatro condutores, três fases e um neutro, e é padrão em comércio, em oficina com motor elétrico e em residência grande. O piso dela é o maior de todos.
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O tipo de ligação está impresso na sua fatura, geralmente perto do número da unidade consumidora, com a palavra monofásico, bifásico ou trifásico escrita por extenso.
Uma confusão comum é achar que o mínimo é uma taxa cobrada por fora do consumo. Ele não é: quando você gasta acima do piso, nada extra é somado, e a linha de energia elétrica traz apenas o que o medidor registrou.
Outra confusão é achar que a bandeira tarifária e os impostos ficam de fora quando o consumo é mínimo. Eles não ficam. O piso vira base de cálculo como se fosse consumo comum, e a fatura da casa vazia carrega o mesmo tributo proporcional da fatura da casa cheia.
Com a regra na mão, o próximo passo é ver o piso virar reais numa fatura real.
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II Bandeira do Mês
A casa fechada aberta em quilowatt-hora
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A casa fechada consumiu 12 kWh e foi faturada em 30 kWh, o piso da ligação monofásica. Com o quilowatt-hora a R$ 0,80, a energia saiu por R$ 24,00, sendo R$ 9,60 de consumo e R$ 14,40 de disponibilidade.
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A conta inteira cabe em poucas linhas.
| Consumo medido | 12 kWh | | Mínimo faturado, ligação monofásica | 30 kWh | | Diferença cobrada sem consumo | 18 kWh | | Tarifa considerada | R$ 0,80 por kWh | | Energia faturada | R$ 24,00 |
O mesmo mês de casa fechada custa valores bem diferentes conforme o tipo de ligação do padrão.
| Monofásica, 30 kWh | R$ 24,00 | | Bifásica, 50 kWh | R$ 40,00 | | Trifásica, 100 kWh | R$ 80,00 |
A diferença entre o padrão mais simples e o mais robusto é de cinquenta e seis reais por mês numa unidade que não consumiu nada. Ao longo de um ano de imóvel vazio, a mesma diferença passa de seiscentos reais.
O detalhe que mais pesa nessa comparação é que o tipo de ligação costuma ter sido escolhido anos atrás, por outro morador, pra um uso que não é mais o seu. Padrão trifásico instalado pra uma oficina que fechou continua cobrando piso de oficina.
Quem tem geração distribuída sente o mesmo piso por outro caminho. As placas podem gerar mais energia do que a casa consome no mês, e ainda assim a fatura chega com valor a pagar, porque o mínimo continua sendo faturado.
O excedente gerado não é perdido nesse caso. Ele vira crédito de energia com validade contada em meses, que abate consumo em ciclos seguintes, mas o piso da ligação nunca é abatido por crédito nenhum.
Existe uma leitura errada que aparece muito nessa hora. O morador vê a fatura da casa fechada e conclui que a distribuidora está inflando a leitura do medidor, quando o medidor está certo e o que mudou foi a base de faturamento.
A prova disso está na própria fatura, no histórico de consumo dos últimos doze meses. O histórico registra a leitura real do mês, e não o valor faturado, o que faz o gráfico mostrar doze enquanto a cobrança fala em trinta.
Um segundo teste é comparar dois meses seguidos de consumo baixo. Se dois ciclos com leituras diferentes chegam exatamente no mesmo valor de energia, o piso está sendo aplicado nos dois.
Sabendo o tamanho do piso, sobra a decisão que cada tipo de imóvel exige.
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