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ED 051
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Fogão a gás ou micro-ondas: quanto custa requentar o prato

O quilo do botijão contra o kWh da tomada, na mesma marmita. A conta em reais por refeição requentada e no fim do mês.

Um fogão com a boca acesa sob uma panela tampada e um micro-ondas aberto com um prato de comida.

A mesma marmita, duas fontes de calor

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Uma concha de feijão, duas colheres de arroz, um bife da janta. Os três voltam da geladeira para o prato no almoço seguinte, e alguém precisa decidir onde esquentar.

Na maioria das cozinhas, a escolha sai do hábito. Quem cresceu com panela no fogo acende a boca do fogão; quem mora sozinho aperta dois minutos no micro-ondas. Poucas casas param para perguntar qual dos dois cobra menos pela mesma comida quente.

As duas contas chegam por caminhos diferentes. O gás vem no botijão de 13 quilos, pago de uma vez na porta, e some aos poucos sem aviso até a chama falhar no meio do arroz. A energia do micro-ondas vem pela tomada e aparece trinta dias depois, misturada na fatura de luz com o chuveiro e a geladeira.

Por esse motivo a comparação quase nunca acontece. Um lado se mede em quilo, o outro em kWh (quilowatt-hora, a unidade que a distribuidora cobra), e nenhum dos dois traz o preço por refeição impresso em lugar nenhum.

Esta edição adota premissas declaradas para fazer a conta: botijão de 13 quilos a R$ 110, tarifa de R$ 0,85 por kWh com tributos, um prato de 400 gramas saído da geladeira. No fogão, a boca média em chama alta por seis minutos. No micro-ondas, um aparelho de 1.200 watts ligado por dois minutos e meio.

Com esses números, o prato requentado no fogão custa R$ 0,11. No micro-ondas, R$ 0,04. Parece troco de bala, até multiplicar por duas refeições por dia durante um ano: a diferença chega a R$ 48,60.

O resultado muda com a panela, a tampa, a quantidade e o preço que o botijão cobra no seu bairro. Uma panela grande de feijão para a família inteira aproxima as duas contas, e há casos em que o fogão continua fazendo sentido.

Também muda com o aparelho. Micro-ondas pequeno de quarto e sala tem potência menor e leva mais minutos; fogão com boca rápida queima mais gás por minuto e termina antes. A conta desta edição serve de molde, e cada casa troca os números pelos seus.

A seção Fatura Linha a Linha abre as duas contas desde a origem: quanto gás a boca do fogão queima por minuto e quanta energia o micro-ondas puxa da tomada.

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I  Fatura Linha a Linha

Seis minutos de chama contra dois de tomada

A boca do fogão e o micro-ondas gastam energia por caminhos opostos. A chama aquece o fundo da panela, a panela aquece a comida, e boa parte do calor escapa pelas laterais para o ar da cozinha. O micro-ondas agita a água dentro do próprio alimento e esquenta a comida por dentro, sem aquecer o prato primeiro.

Uma boca média de fogão doméstico em chama alta queima perto de 0,13 quilo de gás por hora, premissa desta edição. Em seis minutos, um décimo da hora, vão 0,013 quilo. Com o botijão de 13 quilos a R$ 110, cada quilo custa R$ 8,46, e o prato requentado sai por R$ 0,11.

O micro-ondas se lê pela potência de entrada (a que ele puxa da tomada, maior que a potência de aquecimento anunciada no painel). Um aparelho de 1.200 watts em dois minutos e meio consome 0,05 kWh. A R$ 0,85 por kWh, o mesmo prato custa R$ 0,04.

O fogão cobra quase três vezes mais pelo mesmo prato porque aquece a panela, a boca e o ar da cozinha antes de chegar à comida. O micro-ondas gasta quase tudo no alimento.

"O custo de algo é a quantidade do que chamo de vida que precisa ser trocada por ela, imediatamente ou a longo prazo."

Henry David Thoreau, Walden, 1854

A etiqueta ajuda a achar o número do seu aparelho. O micro-ondas traz a potência de entrada numa plaqueta na traseira ou na lateral da porta, em watts. O fogão traz o consumo das bocas no manual, às vezes em quilo por hora, às vezes em quilowatt de potência térmica.

Quando o fogão encosta

A panela grande muda a conta. Um feijão de 1,5 quilo para a família precisa de uns doze minutos em fogo alto no fogão, perto de 0,026 quilo de gás, R$ 0,22. No micro-ondas, a mesma quantidade pede oito minutos em tigela grande, 0,16 kWh, R$ 0,14.

A distância cai de quase três vezes para pouco mais de uma vez e meia. E o micro-ondas cobra outra conta: a tigela extra para lavar, o feijão que espirra se ficar sem tampa e a pausa no meio para mexer.

A tampa na panela é o ajuste mais barato do fogão. Panela tampada segura o vapor e o calor, e a comida chega à temperatura com menos minutos de chama. Boca do tamanho da panela também conta: chama que passa da borda esquenta o ar, não o feijão.

 
 

II  Bandeira do Mês

O botijão não tem bandeira, a tomada tem

A bandeira tarifária (o acréscimo que a ANEEL, a Agência Nacional de Energia Elétrica, cobra por kWh quando gerar energia fica mais caro) só pesa num dos lados desta comparação. O micro-ondas paga a cor do mês; o botijão não conhece bandeira.

Pelos valores fixados pela ANEEL em 2025, a amarela acrescenta R$ 1,885 a cada 100 kWh, a vermelha patamar 1 acrescenta R$ 4,463 e a vermelha patamar 2 acrescenta R$ 7,877. A verde não cobra adicional.

Sobre os 0,05 kWh de um prato, a vermelha patamar 2 soma menos de meio centavo. Em sessenta pratos por mês, 3 kWh, o adicional fica em R$ 0,24. O micro-ondas continua na frente com folga: R$ 0,05 por prato no pior mês da bandeira, contra R$ 0,11 do fogão.

A bandeira mais cara do ano não inverte a conta. Para o micro-ondas empatar com o fogão, a tarifa teria que chegar a R$ 2,20 por kWh, mais que o dobro da premissa desta edição.

O botijão tem a sua própria oscilação, sem cor e sem linha na fatura. O preço muda de revenda para revenda no mesmo bairro, e a diferença entre a mais barata e a mais cara da rua costuma pesar mais que qualquer bandeira. A ANP, a Agência Nacional do Petróleo, publica toda semana no site dela o levantamento de preços de revenda por município.

A conta do fogão só empataria com um botijão muito barato. Para o prato no fogão custar os mesmos R$ 0,04 do micro-ondas, o quilo do gás teria que sair a R$ 3,27, um botijão de 13 quilos a R$ 42,50.

Quatro passos para escolher onde requentar

Passo 1ache a potência de entrada do micro-ondas na plaqueta e anote em watts
Passo 2cronometre um prato no fogão e outro no micro-ondas, cada um até ficar quente no meio
Passo 3faça a conta com o preço do seu botijão e a tarifa da sua fatura, no modelo da seção Quanto em R$
Passo 4deixe o fogão para panela grande tampada e o micro-ondas para prato de uma pessoa

O segundo passo pede atenção ao ponto de parada. Prato de micro-ondas esquenta por fora antes do centro: mexa na metade do tempo e confira o meio com o garfo. Religar por mais trinta segundos custa menos de um centavo.

A ANEEL anuncia a cor do mês seguinte na última sexta-feira de cada mês, no site da agência. A linha aparece na fatura como adicional de bandeira, e em mês de vermelha a vantagem do micro-ondas encolhe alguns décimos de centavo por prato, sem trocar de lado.

 
 

III  Quanto em R$

R$ 48,60 por ano na mesma marmita

Os valores desta seção adotam premissas declaradas, porque o botijão muda de preço por revenda e a tarifa muda por distribuidora: botijão de 13 quilos a R$ 110, tarifa de R$ 0,85 por kWh com tributos, prato de 400 gramas, seis minutos de boca média no fogão, dois minutos e meio num micro-ondas de 1.200 watts e dois pratos por dia, sessenta no mês. Troque cada número pelo da sua casa.

As contas, abertas linha por linha:

Gás de um prato no fogão0,013 kg
Custo de um prato no fogãoR$ 0,11
Energia de um prato no micro-ondas0,05 kWh
Custo de um prato no micro-ondasR$ 0,04
Sessenta pratos no fogão, por mêsR$ 6,60
Sessenta pratos no micro-ondas, por mêsR$ 2,55
Diferença no mêsR$ 4,05
Diferença em doze mesesR$ 48,60

Cada prato no micro-ondas poupa R$ 0,07. Em dois pratos por dia, a diferença soma R$ 48,60 no ano, perto de meio botijão.

Em gás, a conta fica mais visível. Sessenta pratos no fogão queimam 0,78 quilo por mês e 9,36 quilos no ano: quase três quartos de um botijão só para requentar sobra.

O preço do botijão mexe no resultado. Com o botijão a R$ 130, o quilo sai a R$ 10, o prato no fogão passa a R$ 0,13, e a diferença no ano sobe para R$ 63.

A tarifa também. Numa distribuidora a R$ 1,10 por kWh com tributos, o prato no micro-ondas custa R$ 0,055, R$ 3,30 por mês, e a diferença cai para R$ 3,30 mensais, R$ 39,60 no ano.

A panela grande da família fica fora da regra. No feijão de 1,5 quilo, o fogão cobra R$ 0,22 e o micro-ondas R$ 0,14 por vez: R$ 0,08 de diferença, que a louça extra e a pausa para mexer costumam engolir. Panela grande tampada pode continuar no fogo.

"Na sua casa, a sobra da janta volta ao fogão ou ao micro-ondas?"

Hoje: requente um prato no micro-ondas e marque no cronômetro do celular quantos minutos ele leva até ficar quente no meio. Divida os minutos por 60, multiplique pela potência da plaqueta em quilowatts e pela tarifa da sua fatura, e anote o custo do seu prato antes da próxima refeição.

 
 
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Quiz da edição

Segundo a edição, multiplicando a diferença de preço por duas refeições requentadas por dia ao longo de um ano, quanto o micro-ondas economiza em relação ao fogão?

AR$ 12,60
BR$ 24,30
CR$ 48,60
DR$ 96,20

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