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O botijão a R$ 9,23 o quilo, o cano a R$ 7,04
A conversão do P13 em preço por quilo contra o metro cúbico do cano numa casa de quatro pessoas, e a taxa fixa que chega sem ninguém cozinhar.
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O botijão de 13 kg parado, a válvula em foco
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Cento e vinte reais. É o preço do botijão de 13 kg entregue na porta, pago em dinheiro no dia da troca, sem fatura, sem código de barras e sem nenhuma linha explicando de onde veio o valor.
Na casa da esquina, ligada ao cano da rua, a conta de gás do mesmo mês chegou em R$ 61,00.
Os dois números não se comparam do jeito que estão. Um é preço de um cilindro cheio, comprado de uma vez e queimado ao longo de semanas. O outro é o consumo de trinta dias, medido em metro cúbico por um relógio na parede.
Comparar exige colocar os dois na mesma unidade, e a ponte entre elas é a energia que cada um entrega ao queimador.
A casa desta edição tem quatro pessoas, fogão de quatro bocas, forno usado no fim de semana e chuveiro elétrico. Um botijão dura cerca de 45 dias nesse ritmo, o que dá R$ 80,00 por mês de gás engarrafado.
Treze quilos de GLP entregam por volta de 166 kWh de energia. O metro cúbico de gás natural entrega perto de 9,7 kWh, então o botijão inteiro equivale a mais ou menos 17 metros cúbicos de gás canalizado.
No mês, a mesma cozinha pede algo em torno de 11,4 metros cúbicos. Na primeira faixa da tabela residencial, a R$ 4,50 o metro cúbico, o consumo sai por R$ 51,30.
A conta chega em R$ 61,00 porque existe uma segunda linha embaixo. São R$ 9,70 de taxa de disponibilidade, cobrança fixa pelo ramal e pelo medidor instalados, que aparece igual no mês de festa e no mês de viagem.
Somando as duas linhas e voltando pra unidade do botijão, o gás canalizado sai por R$ 7,04 o quilo equivalente, contra R$ 9,23 o quilo do cilindro. A diferença é de R$ 19,00 por mês nessa casa.
O cálculo inteiro começa em dois números impressos, um na etiqueta do cilindro e outro no quadro de leitura da fatura.
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I Fatura Linha a Linha
O quilo do botijão contra o metro cúbico do cano
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O preço por quilo do cilindro contra o preço por metro cúbico do cano.
O botijão é vendido por peça, e não por quilo, o que esconde o preço da unidade. O P13 tem 13 quilos de gás liquefeito de petróleo dentro, então R$ 120,00 na entrega dão R$ 9,23 por quilo, com o frete do entregador já embutido no valor.
O mesmo cilindro retirado no balcão da revenda costuma sair mais barato. A diferença entre os dois preços é serviço de porta, não é gás a mais.
A tara do cilindro vem estampada no aro metálico, junto do mês e do ano da última requalificação. Peso total menos tara é a quantidade real de gás que entrou, e o cilindro que chega leve entrega menos energia pelo mesmo preço.
Do outro lado, o gás canalizado é medido em metro cúbico por um medidor de vazão instalado antes do fogão. A fatura traz leitura anterior, leitura atual, a diferença entre as duas e a quantidade de dias do ciclo, quase sempre entre 28 e 33.
A tabela residencial é escalonada por faixa. A primeira faixa cobre o consumo baixo de cozinha e costuma ficar entre R$ 4,00 e R$ 5,00 o metro cúbico, dependendo da distribuidora e do estado.
Na casa desta edição, os 11,4 metros cúbicos do mês inteiro cabem dentro da primeira faixa e são multiplicados por R$ 4,50.
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A ponte entre as duas unidades é energia, e não volume. Um quilo de GLP entrega perto de 12,8 kWh e um metro cúbico de gás natural entrega perto de 9,7 kWh, então cada quilo de botijão vale mais ou menos 1,32 metro cúbico de cano.
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Aplicando a conversão no mês, os 8,67 quilos de GLP que a casa queima viram 11,4 metros cúbicos de gás natural. É o mesmo fogo, a mesma panela e o mesmo tempo de chama, contado em duas réguas diferentes.
O preço por energia entregue muda de figura quando os dois estão na mesma régua. O botijão sai por R$ 0,72 o kWh e o gás canalizado sai por R$ 0,55 o kWh já com a taxa fixa dentro.
Existe uma vantagem do cilindro que a conta não mostra. O gás comprado hoje pode ser queimado daqui a três meses, e a casa vazia não gera despesa nenhuma enquanto o botijão espera encostado na parede.
O gás canalizado não guarda. A ligação fica ativa, o medidor continua no lugar e a distribuidora emite fatura todo mês, com ou sem chama acesa.
Feita a conversão, a linha do consumo já está resolvida. Falta a segunda linha da fatura, a que não depende de metro cúbico nenhum.
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II Bandeira do Mês
A linha que cobra R$ 9,70 de quem não cozinhou
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A taxa de disponibilidade paga a rede pronta, não o gás queimado. Ela remunera o ramal enterrado na rua, o medidor na parede e a manutenção da pressão, e entra na fatura como valor fixo mensal, separado da linha de consumo.
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O nome muda de distribuidora pra distribuidora. Taxa de disponibilidade, tarifa fixa, encargo de conexão e custo de comercialização são rótulos do mesmo item, e todos aparecem no corpo da fatura com valor próprio.
No mês em que ninguém cozinhou, com o registro fechado e a leitura repetindo o número anterior, a fatura chega em R$ 9,70. Não é erro de emissão, é a linha fixa correndo sozinha.
Doze meses de casa vazia custam R$ 116,40 sem um metro cúbico ter passado pelo medidor.
Diluída no consumo real, a taxa muda o preço efetivo do metro cúbico. Os R$ 9,70 divididos pelos 11,4 metros cúbicos da casa acrescentam R$ 0,85 a cada um deles, e o metro cúbico de R$ 4,50 na tabela vira R$ 5,35 na prática.
Quanto menor o consumo, mais pesada fica a taxa. Uma pessoa morando sozinha, com 4 metros cúbicos no mês, paga R$ 18,00 de gás e R$ 9,70 de taxa, e o metro cúbico dela custa R$ 6,93.
Nessa faixa o botijão volta a ganhar. Quem mora só empurra um P13 por seis meses e paga R$ 20,00 por mês, sem linha fixa nenhuma.
O reajuste dos dois lados tem calendário diferente. A tarifa do gás canalizado é revista em resolução da agência reguladora estadual, com data marcada e valor publicado, e vale pra primeira fatura emitida depois dela.
O preço do botijão muda sem aviso e sem data. Ele acompanha o valor de venda da refinaria, o custo do frete rodoviário e a margem da revenda do bairro, e varia de rua pra rua na mesma cidade.
Uma diferença de R$ 15,00 entre duas revendas próximas muda o quilo de R$ 9,23 pra R$ 10,38, um salto de 12% sem resolução nenhuma publicada.
Existe uma tarifa menor pra quem se enquadra. A categoria residencial social do gás canalizado desconta o metro cúbico e às vezes a própria taxa fixa, com cadastro pedido pelo morador e comprovação de renda ou de CadÚnico.
Com o preço por quilo, o preço por metro cúbico e a taxa fixa na mesa, sobra a parte que muda o valor pago no mês que vem.
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