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Os 6 m³ que você não gastou custam R$ 29,16
A tarifa mínima de 10 m³ cobrada de uma casa que registrou 4 m³, o esgoto calculado por cima do volume que não passou e o pedido que zera a cobrança.
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O hidrômetro no fim do mês, dígitos pretos à mostra
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Quatro metros cúbicos. É o que o hidrômetro da casa registrou no mês inteiro, com a leitura anterior em 1.482 e a leitura atual em 1.486, os dois números impressos lado a lado no quadro de leitura.
A fatura que chegou cobra dez.
Não é erro de digitação nem leitura mal feita. É a tarifa mínima, o consumo que a concessionária considera faturado mesmo quando a torneira gira menos, e ela vale por economia ligada à rede, não por metro cúbico que passou pelo cano.
O cálculo desta edição usa uma casa de uma economia, categoria residencial, com água e esgoto na mesma conta. A primeira faixa da tabela cobra R$ 2,70 por metro cúbico, e o esgoto entra por cima como percentual do valor da água, 80% no exemplo.
Com dez metros cúbicos faturados, a água sai por R$ 27,00 e o esgoto por R$ 21,60. A conta fecha em R$ 48,60 num mês em que a casa consumiu quatro metros cúbicos.
Se o faturamento seguisse o hidrômetro, os quatro metros cúbicos valeriam R$ 10,80 de água e R$ 8,64 de esgoto, R$ 19,44 no total.
A diferença entre os dois totais é R$ 29,16, e ela tem nome de volume: são os seis metros cúbicos que não saíram da caixa d'água e foram cobrados assim mesmo, a R$ 4,86 cada um.
A tarifa mínima não é ilegal nem está escondida. Ela vem prevista na lei do saneamento e aparece na tabela que a agência reguladora do seu estado publica todo ano, com o valor da primeira faixa impresso.
O que muda de casa pra casa é a chance de escapar dela. A cobrança continua correndo com o imóvel vazio, com o registro geral fechado e com o cadastro na categoria errada, e existe pedido formal pra cada uma das três situações.
Antes de pedir qualquer coisa, é preciso enxergar a cobrança. Ela mora em dois números que a conta imprime a poucos centímetros um do outro.
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I Fatura Linha a Linha
Dez metros cúbicos numa casa de quatro
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Os dois números de consumo, a economia que multiplica o mínimo e o que o hidrômetro mede de verdade.
A conta traz dois números de consumo, e só o segundo vira dinheiro. O primeiro é o consumo medido, a diferença entre a leitura anterior e a leitura atual do hidrômetro. O segundo é o consumo faturado, o volume que a tabela de tarifas multiplica.
Na casa desta edição o medido é 4 e o faturado é 10. Os dois aparecem no mesmo quadro, perto das datas de leitura e da quantidade de dias do ciclo, quase sempre entre 28 e 33.
Quando o consumo medido fica abaixo do mínimo, a concessionária substitui um número pelo outro antes de calcular. A tabela nunca vê os quatro metros cúbicos, ela recebe dez.
A unidade da cobrança se chama economia. Cada moradia ou ponto comercial com uso independente conta como uma, e o mínimo de dez metros cúbicos é cobrado por economia, não por hidrômetro.
Um prédio de vinte apartamentos com hidrômetro único tem vinte economias no cadastro. O mínimo faturável do condomínio sobe pra duzentos metros cúbicos, e um mês de cento e cinquenta metros cúbicos ainda é faturado como duzentos.
São cinquenta metros cúbicos cobrados sem terem passado, R$ 243,00 no mês, R$ 12,15 rateados pra cada apartamento dentro da taxa de condomínio.
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O hidrômetro mede o que passou pelo cano. A tarifa mínima cobra a rede que ficou pronta pra entregar, e os dois números só se encontram quando a casa passa de dez metros cúbicos no mês.
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A categoria do cadastro decide o preço de cada metro cúbico. Residencial, comercial, industrial e pública têm tabelas diferentes, e a palavra aparece impressa junto do endereço e do número da matrícula do imóvel.
O mínimo de dez metros cúbicos costuma valer pra todas elas. O que muda é quanto custa cada um desses dez, e uma casa cadastrada como comercial paga a tabela do comércio até alguém pedir a correção.
Ler o hidrômetro é mais simples que parece. Os dígitos pretos contam metros cúbicos e os vermelhos contam litros, então anotar só os pretos no mesmo dia de cada mês já dá o consumo real do período.
Casa fechada o mês inteiro, com o registro geral fechado, recebe a mesma fatura de R$ 48,60. A ligação continua ativa, a economia continua cadastrada, e o mínimo não pergunta se alguém dormiu ali.
Mês sem leitura tem outro rótulo. A conta chega com consumo estimado ou pela média do histórico, e a média de uma casa que costumava gastar mais pode ficar acima do mínimo, o que pede leitura de conferência antes de pagar.
A água já está contada. Falta a linha que entra logo abaixo dela, calculada sem medidor nenhum e por cima do mesmo volume.
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II Bandeira do Mês
Os 80% que sobem junto com o mínimo
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O esgoto não tem medidor. Ele é calculado como percentual do valor da água, então cada metro cúbico faturado a mais na linha de cima reaparece, menor, na linha de baixo.
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O percentual varia por concessionária e por serviço prestado. Oitenta por cento é o mais comum onde existe coleta e tratamento, cem por cento aparece em parte dos estados, e algumas contas separam a coleta do tratamento em duas linhas menores.
Na casa desta edição o esgoto entra a 80%. Sobre os R$ 27,00 de água faturada, a linha cobra R$ 21,60, e o total da conta fecha em R$ 48,60.
Dentro dos seis metros cúbicos que a casa não gastou, R$ 16,20 são água e R$ 12,96 são esgoto. O volume que nunca passou é cobrado duas vezes, uma em cada linha, pelo mesmo motivo.
Numa concessionária que cobra cem por cento, os mesmos seis metros cúbicos custam R$ 32,40. A conta do mês vai a R$ 54,00 com o hidrômetro parado em quatro.
A diferença de percentual explica contas parecidas com valores distantes. Duas casas com o hidrômetro parado em quatro metros cúbicos pagam R$ 48,60 numa cidade e R$ 54,00 na outra, sem que nenhuma tenha aberto uma torneira a mais.
Quem não tem rede de esgoto na rua paga só a água, e o mínimo continua igual. Quem tem poço artesiano e joga o esgoto na rede paga o contrário, só a linha de baixo, calculada por volume declarado ou por hidrômetro instalado no próprio poço.
A tarifa muda de valor uma vez por ano, na data de reajuste que a agência reguladora estadual publica. O mínimo sobe junto, sem que ninguém em casa mude um hábito.
Um reajuste de 6% leva a conta desta edição de R$ 48,60 pra R$ 51,52. Continuam sendo quatro metros cúbicos no hidrômetro e dez na fatura.
O reajuste é publicado em resolução da agência estadual e entra na primeira fatura emitida depois da data. A conta costuma trazer a informação em letra pequena no rodapé, com o número da resolução.
Existe uma tabela mais barata pra quem se enquadra. A categoria residencial social cobra menos pelo mesmo metro cúbico, depende de cadastro pedido pelo morador, e costuma exigir CadÚnico, faixa de renda e limite de área construída.
Com o preço da faixa, o percentual do esgoto e a categoria na mão, sobra a parte que muda o valor da próxima fatura: o que pedir, em que ordem e com qual documento na mesa.
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