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R$ 118 que vazaram por baixo do piso
O ponteiro do cavalete continua girando com todas as torneiras fechadas, e a diferença aparece em 22 metros cúbicos na conta do mês.
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O ponteiro gira com a casa toda fechada
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A conta de água é a única da casa que quase ninguém confere. A de luz tem bandeira, tem manchete, tem gente comparando valor no grupo da família. A de água chega, entra no débito automático e desaparece, porque o valor costuma ser pequeno o bastante para não doer no mês.
Só que ela mede um recurso que corre por dentro da parede, por baixo do piso e por baixo do jardim, em canos que ninguém enxerga desde o dia em que a obra foi fechada. Quando um desses canos abre uma falha, a água não aparece no chão da cozinha. Ela desce pela terra, some no solo e continua sendo contada pelo aparelho da calçada, litro por litro, como se tivesse saído de uma torneira aberta.
O consumo residencial tem uma régua conhecida e bastante estável. Uma pessoa usa em torno de 4 metros cúbicos por mês em uso comum, somando banho, descarga, cozinha e roupa. Uma casa de três moradores fecha o mês perto de 12 metros cúbicos, e esse número varia pouco de um mês para o outro, porque hábito de banho e rotina de máquina de lavar não mudam sozinhos.
Quando a fatura de uma casa assim marca 34 metros cúbicos, nenhuma explicação de hábito fecha a diferença. Ninguém toma banho três vezes mais demorado sem perceber, ninguém lava vinte cargas de roupa a mais no mesmo mês, ninguém rega o quintal com o triplo de água e esquece. O excedente saiu de algum lugar que não é torneira.
A companhia de saneamento não tem obrigação de adivinhar de onde. Ela mede o que passou pelo hidrômetro e emite a cobrança em cima desse número. A tarefa de descobrir por onde a água escapou fica com o morador, e existe um procedimento simples, feito com o próprio aparelho instalado na calçada, que responde a pergunta em vinte minutos e não pede ferramenta nenhuma.
Esse procedimento tem nome, tem sequência e produz um resultado que vale como prova depois, na hora de protocolar o pedido de revisão de consumo. Ele começa antes de qualquer conserto, antes de qualquer orçamento de pedreiro, e não custa nada.
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I Fatura Linha a Linha
O teste do cavalete com a casa fechada
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O aparelho que cobra é o mesmo aparelho que denuncia.
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Com todas as torneiras fechadas e a caixa cheia, o ponteiro vermelho do hidrômetro tem que ficar parado. Se ele gira, existe água saindo por um ponto que ninguém abriu.
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O cavalete é aquela caixa de concreto ou plástico instalada na calçada ou no muro, com o hidrômetro dentro. Ele é o ponto de entrega da companhia: tudo que passa por ali é registrado e vira linha de consumo na fatura, independentemente de onde a água vá parar depois.
Dentro do mostrador existem dois conjuntos de números. O de cima, com dígitos grandes, conta metros cúbicos, a unidade que aparece na conta. Embaixo, um ponteiro vermelho ou uma estrela giratória mede litros e frações de litro, e é essa peça pequena que denuncia vazamento, porque ela reage a fluxo mínimo.
O teste tem quatro passos e nenhum deles precisa de chave, de bomba ou de técnico:
| Passo 1 | feche todas as torneiras, tanque e jardim inclusive | | Passo 2 | desligue máquina de lavar, lava-louças e filtro | | Passo 3 | espere a boia fechar e a caixa parar de encher | | Passo 4 | observe o ponteiro vermelho por dez minutos |
O que cada resultado significa
Ponteiro imóvel durante dez minutos significa que a rede interna está estanque naquele momento. O consumo alto, se existir, veio de uso mesmo, e a investigação muda de rumo: passa a olhar descarga com boia velha, torneira pingando ou rega de quintal.
Ponteiro girando com a casa fechada significa vazamento em algum ponto entre o cavalete e a última torneira. A velocidade do giro dá uma ideia grosseira do tamanho: giro lento e constante costuma ser gotejamento de junta, giro rápido indica cano rompido.
Antes de fechar o diagnóstico, vale isolar a caixa d'água. Feche o registro que sai da caixa e observe o nível marcado com fita adesiva ou lápis por três horas, sem ninguém usar água. Se o nível cai com o registro fechado, o vazamento está na própria caixa ou no cano que sai dela.
Anote data, horário e a leitura do hidrômetro no início e no fim do teste. Esse par de números é o que transforma uma suspeita em documento, e a companhia trabalha com documento, não com relato de morador ao telefone.
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II Bandeira do Mês
22 metros cúbicos que ninguém abriu
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Vinte e dois metros cúbicos a mais equivalem a 22 mil litros. Divididos por 30 dias, dão 733 litros por dia, o mesmo que uma torneira média aberta durante quatro horas seguidas.
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Números grandes em metros cúbicos escondem o tamanho do problema. Traduzidos para litro, eles voltam a fazer sentido. Um vazamento de furo pequeno num cano enterrado, com pressão normal de rede, entrega tranquilamente 500 a 800 litros por dia sem nenhum sinal visível na superfície.
O motivo de não aparecer poça é o solo. Terra, brita e areia absorvem esse volume ao longo do dia e o distribuem por baixo do piso ou do jardim. Em casa com contrapiso e cerâmica, a água ainda encontra caminho pelas juntas e pelas laterais, e a mancha só aparece quando o volume já é muito maior.
Três pontos concentram a maioria das falhas em rede residencial. O primeiro é a tubulação enterrada entre o cavalete e a casa, o trecho mais antigo e o único que sofre com o peso de carro e com raiz de árvore.
O segundo é a coluna que sobe até a caixa d'água, quando a boia trava meio aberta e a caixa transborda pelo ladrão. A água some pelo cano de extravasão sem molhar nada visível, e o hidrômetro registra o dia inteiro.
O terceiro é a válvula de descarga com reparo gasto. Ela mantém um fio fino de água correndo pela louça, silencioso, e sozinha responde por consumo de dezenas de metros cúbicos no mês.
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"Os órgãos públicos, por si ou suas empresas, concessionárias, permissionárias ou sob qualquer outra forma de empreendimento, são obrigados a fornecer serviços adequados, eficientes, seguros e, quanto aos essenciais, contínuos."
Brasil, Código de Defesa do Consumidor, Lei nº 8.078, artigo 22, 1990.
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Como localizar o trecho sem quebrar a casa
Depois de confirmar o giro do ponteiro, feche o registro de entrada da casa, aquele que fica logo depois do cavalete ou na parede da área de serviço. Volte ao hidrômetro e observe de novo.
Se o ponteiro parar com esse registro fechado, o vazamento está dentro da casa. Se continuar girando, ele está no trecho enterrado entre o cavalete e o registro, e o conserto costuma envolver escavação de calçada ou de jardim.
Dentro da casa, o mapa é feito por eliminação. Feche registro de banheiro por banheiro, quando existir, e repita a leitura de dez minutos a cada fechamento. O cômodo em que o ponteiro para é o cômodo do problema.
O registro de cada teste vale tanto quanto o conserto. Leitura inicial, leitura final, horário e qual registro estava fechado: essas quatro informações montam o histórico que sustenta o pedido de revisão de consumo na companhia.
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