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R$ 144,00 de ar-condicionado por mês
Um split de 9.000 BTUs ligado 8 horas por noite consome 180 kWh no mês, e o ajuste do termostato altera esse número sem trocar o aparelho.
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O termostato decide a linha da fatura
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O split de 9.000 BTUs pendurado no quarto tem uma potência elétrica que quase ninguém procura, porque ela não está impressa no controle remoto nem na parte de dentro do aparelho. Ela está na etiqueta colada atrás da unidade externa, aquela caixa metálica que fica na área de serviço, e o número que costuma aparecer ali fica perto de 750 watts.
Setecentos e cinquenta watts significam 0,75 quilowatt-hora consumido a cada hora de funcionamento contínuo. É a unidade em que a distribuidora cobra, a mesma que aparece na coluna do meio da fatura, e é a única que permite transformar hábito em dinheiro sem chute.
Oito horas por noite, das onze da noite às sete da manhã, dão 6 quilowatt-hora por dia. Trinta noites seguidas dão 180 quilowatt-hora no ciclo. Com a tarifa cheia de R$ 0,80 por quilowatt-hora, impostos já embutidos, a fatura recebe R$ 144,00 vindos de um único aparelho.
Cento e quarenta e quatro reais é um valor que passa despercebido porque nunca aparece separado. A conta de luz chega com um número só, o consumo total do imóvel, e dentro dele a geladeira, o chuveiro, a máquina de lavar e o split entram misturados num montante que o morador aceita como um bloco.
Separar esse bloco não exige medidor extra nem aplicativo. Exige três informações que já existem: a potência do aparelho, o número de horas que ele funciona e o valor do quilowatt-hora impresso na própria fatura. O resto é multiplicação.
E existe uma variável dentro dessas três que o morador controla sozinho, de graça, apertando um botão antes de dormir. O termostato, aquele número que a maioria fixa em 20 graus por hábito, é o que decide quanto tempo o compressor passa efetivamente ligado dentro daquelas oito horas.
A diferença entre marcar 20 e marcar 24 não muda o conforto tanto quanto muda a linha da fatura, e a explicação de por que isso acontece está na forma como o aparelho liga e desliga sozinho durante a noite.
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I Fatura Linha a Linha
O que o compressor cobra por hora
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A multiplicação de uma linha só que separa o aparelho do total da conta.
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A etiqueta da unidade externa traz a potência em watts. Divida por mil e você tem o custo por hora do aparelho em quilowatt-hora, a mesma unidade que a distribuidora cobra na fatura.
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Um split de 9.000 BTUs é o modelo mais vendido para quarto de casal, ambiente de até doze metros quadrados. A sigla BTU mede capacidade de refrigeração, quanto calor o aparelho retira do cômodo, e não diz nada sobre quanta energia ele gasta para fazer isso.
Quem responde pelo gasto é a potência elétrica, medida em watts, e ela varia bastante entre modelos com o mesmo BTU. Um split convencional de 9.000 BTUs costuma ficar entre 700 e 900 watts. Um inverter da mesma capacidade opera em faixa variável e trabalha boa parte do tempo abaixo disso.
Adote 750 watts como referência de trabalho, o valor médio do convencional. Dividido por mil, dá 0,75 quilowatt-hora por hora ligado.
Onde ler os três números na sua conta
Comece pelo aparelho. Vá até a unidade externa e procure a placa de identificação, geralmente prateada, na lateral ou na parte de trás. Procure a linha escrita potência nominal, entrada nominal ou apenas W.
Agora abra a fatura de energia. No quadro de faturamento estão o consumo do mês em quilowatt-hora e o valor cobrado por ele. Divida o valor total da linha de consumo pela quantidade de quilowatt-hora e você tem a tarifa real que paga, com tributos incluídos.
Esse número quase nunca bate com a tarifa divulgada pela distribuidora, porque a divulgada é sem impostos. A tarifa real no país gira em torno de R$ 0,80 por quilowatt-hora, e é ela que deve entrar na conta.
O terceiro número é o único que ninguém pode ler para você: quantas horas o aparelho fica ligado. Anote durante uma semana o horário em que liga e o horário em que desliga, e tire a média.
Com os três em mãos, a conta é uma linha só: potência em quilowatt vezes horas por dia vezes dias do mês vezes tarifa. No caso do exemplo, 0,75 vezes 8 vezes 30 vezes 0,80, que fecha em R$ 144,00.
Repare que essa conta assume o compressor ligado o tempo todo, oito horas ininterruptas de motor girando. Não é bem assim que o aparelho funciona, e a diferença entre o cálculo cheio e o funcionamento real é exatamente onde mora a economia.
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II Bandeira do Mês
Os quatro graus que o termostato guarda
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O compressor não fica ligado as oito horas inteiras. Ele liga, resfria até a temperatura marcada, desliga e volta a ligar quando o calor entra de novo. O termostato define o tamanho desse ciclo.
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Ar-condicionado convencional trabalha em liga e desliga. O motor gira em potência única, derruba a temperatura do quarto até o valor programado, para, e o ventilador interno continua girando com gasto pequeno até o ambiente esquentar o suficiente para o motor voltar.
O consumo real de uma noite, portanto, não é oito horas de compressor. É a soma dos períodos em que ele esteve girando, e essa soma depende de quanto trabalho ele precisa fazer para manter o número que você marcou.
Marcar 20 graus numa noite em que a rua está a 28 significa pedir uma diferença de oito graus, mantida a madrugada inteira, contra a parede que devolve calor, contra o telhado que aqueceu de dia e contra a fresta da porta.
Marcar 24 graus na mesma noite reduz a diferença para quatro. Metade do trabalho térmico, e o compressor passa muito menos tempo girando dentro do mesmo intervalo de oito horas.
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"O Poder Executivo estabelecerá níveis máximos de consumo específico de energia, ou mínimos de eficiência energética, de máquinas e aparelhos consumidores de energia fabricados ou comercializados no País, com base em indicadores técnicos pertinentes."
Brasil, Lei nº 10.295, artigo 2º, 2001.
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A regra da mão que circula entre instaladores é conhecida: cada grau a mais no termostato tira perto de 8 por cento do consumo do aparelho. Subir de 20 para 24 são quatro graus, e o efeito acumulado fica na casa de 30 por cento.
Como testar no seu quarto em duas semanas
O teste não depende de acreditar em percentual nenhum, ele mede a sua casa:
| Passo 1 | mantenha 20 graus por sete noites e anote | | Passo 2 | fotografe o visor do medidor no início e no fim | | Passo 3 | repita sete noites com 24 graus, mesma rotina | | Passo 4 | compare os visores e divida pela tarifa real |
O medidor da entrada do imóvel é o mesmo aparelho que a distribuidora usa para faturar, então o número que sai dele é o número que vai para a conta. Duas leituras separadas por sete dias já entregam a comparação.
Três detalhes mudam o resultado do teste e vale controlá-los. Feche a porta do quarto, porque ar frio vazando para o corredor faz o compressor trabalhar por metros quadrados que ninguém está usando. Limpe o filtro da unidade interna, que entope em semanas e obriga o motor a girar mais. E use o modo sleep, que sobe a temperatura sozinho de madrugada, quando o corpo já esfriou.
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