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R$ 31,20 escondidos na porta da geladeira
A etiqueta do Inmetro imprime o consumo em kWh por mês, e a distância entre uma geladeira nova e uma de quinze anos cabe nessa linha.
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A etiqueta traz o custo mensal do aparelho
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A geladeira é o único aparelho da casa que nunca é desligado. Chuveiro liga por dez minutos, máquina de lavar roda duas vezes por semana, ar-condicionado descansa metade do ano. A geladeira trabalha 24 horas por dia, 365 dias por ano, desde o dia em que foi ligada na tomada, e ninguém aperta um botão sequer para autorizar cada hora de funcionamento.
Por trabalhar sem interrupção, ela costuma responder por algo entre 25 e 30 por cento do consumo elétrico de uma casa comum. É a maior fatia fixa da fatura, a parte que aparece mesmo no mês em que a família viajou, e é justamente a que ninguém tenta reduzir, porque desligar não é opção.
Só que existe um detalhe que separa uma geladeira de outra, e ele não tem relação nenhuma com hábito, com quantas vezes a porta é aberta ou com o que está guardado dentro. Tem relação com o motor, com a espessura do isolamento e com a idade do aparelho.
Duas geladeiras do mesmo tamanho, plantadas na mesma cozinha, ligadas nas mesmas 24 horas, podem entregar contas que diferem em dezenas de reais por mês. A que come menos não é a mais vazia nem a mais bem organizada. É a mais nova, e a diferença já vinha impressa antes da compra.
Esse número existe, é obrigatório por lei, vem colado na porta do aparelho na loja e some da memória de quase todo comprador no minuto seguinte. A etiqueta do Inmetro, aquele retângulo com barras coloridas de A até E, tem um quadro pequeno na parte de baixo que ninguém procura.
Nesse quadro está escrito o consumo do aparelho em quilowatt-hora por mês, medido em laboratório, na mesma unidade que a distribuidora usa para cobrar. É a única informação da loja inteira que se converte diretamente em reais, sem chute e sem promessa de vendedor.
Quem sabe ler essa linha compara duas geladeiras pelo custo de manter, não pelo preço de comprar. E descobre que a etiqueta é a peça mais barata de informação disponível numa decisão que dura dez anos.
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I Fatura Linha a Linha
O quadro que ninguém procura na etiqueta
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O número que a lei obriga a estar impresso na porta do aparelho.
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A etiqueta do Inmetro traz o consumo em quilowatt-hora por mês impresso na porta: 39 kWh numa geladeira nova de classe A contra 78 kWh numa de quinze anos. É a mesma unidade que a distribuidora cobra.
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A Etiqueta Nacional de Conservação de Energia é obrigatória e segue um desenho padronizado. No topo vem o nome do fabricante e o modelo. No meio, a escala de letras, com faixas coloridas que vão do verde escuro no A ao vermelho no E, e uma seta preta apontando a classe daquele aparelho específico.
A escala de letras é a parte que todo mundo olha, e ela sozinha não fecha conta nenhuma. Letra é ordenação, não valor. Duas geladeiras classe A podem consumir números diferentes, porque a classificação compara aparelhos dentro da mesma categoria de tamanho e de sistema de degelo.
O valor está embaixo. Procure a linha escrita consumo de energia, seguida de um número e da sigla kWh por mês. Numa geladeira de uma porta, capacidade em torno de 300 litros, classe A, esse número costuma ficar perto de 39.
Como transformar a etiqueta em reais na loja
Trinta e nove quilowatt-hora por mês é o consumo medido em teste padronizado, com o aparelho num ambiente controlado. Na sua cozinha o número sobe um pouco, porque a porta abre, comida quente entra e o verão aperta. Serve como base de comparação honesta entre modelos.
Multiplique esse valor pela tarifa real que você paga. Para achar a tarifa real, pegue a última fatura, divida o valor cobrado na linha de consumo pela quantidade de quilowatt-hora daquele mês e você chega ao preço com tributos já embutidos. No país, ela gira perto de R$ 0,80.
Trinta e nove vezes R$ 0,80 dá R$ 31,20 por mês de geladeira nova. Guarde esse valor, porque ele vira régua: qualquer aparelho que custe mais que isso todo mês está cobrando um aluguel silencioso da sua conta de luz.
Agora repita a operação com a etiqueta do modelo ao lado na loja. Se um custa R$ 200,00 a mais na compra e consome 8 quilowatt-hora a menos por mês, a diferença de consumo devolve R$ 6,40 mensais e paga os R$ 200,00 em pouco mais de dois anos, num aparelho que vai ficar na casa por dez.
O problema é que a maioria das pessoas nunca faz essa comparação com a geladeira que já tem em casa, porque ela não veio com etiqueta visível, ou porque a etiqueta se perdeu na primeira faxina. E é exatamente aí que mora a diferença mais cara.
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II Bandeira do Mês
Por que a de quinze anos come o dobro
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Uma geladeira de quinze anos consome perto de 78 quilowatt-hora por mês, o dobro da nova de classe A. O aparelho não estragou, ele foi projetado num tempo em que o critério era outro.
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Três peças explicam a diferença. A primeira é o compressor. Motores antigos giram em rotação única, ligam em potência cheia, resfriam e param. Compressores atuais modulam a rotação e trabalham quase sempre em carga parcial, um regime que gasta muito menos para segurar a mesma temperatura.
A segunda peça é o isolamento. A espuma de poliuretano injetada na parede do gabinete envelhece, perde densidade e deixa passar calor. Um aparelho de quinze anos precisa acionar o motor com mais frequência para segurar a mesma temperatura interna do que precisava quando saiu da fábrica.
A terceira é a borracha da porta, o item mais barato e o mais esquecido. Ela endurece, racha e para de vedar. Cada fresta de vedação é um convite para o ar quente da cozinha entrar sem parar, e o compressor responde ligando mais vezes por hora.
Somadas, as três peças explicam por que o mesmo espaço refrigerado custa o dobro numa geladeira antiga. Não é desleixo do morador. É engenharia de outra época mais desgaste acumulado.
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"Esta Lei dispõe sobre a Política Nacional de Conservação e Uso Racional de Energia visando à alocação eficiente de recursos energéticos e à preservação do meio ambiente."
Brasil, Lei nº 10.295, artigo 1º, 2001.
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O padrão mínimo de eficiência exigido por essa lei subiu ao longo dos anos. Uma geladeira aprovada como eficiente em 2011 seria reprovada hoje, e é por isso que comparar letra de etiqueta antiga com letra de etiqueta nova não funciona. A régua mudou de lugar.
Como medir a sua geladeira sem etiqueta
Se a etiqueta original sumiu, o teste que vale é medir o aparelho na sua cozinha:
| Passo 1 | desligue tudo por duas horas, menos a geladeira | | Passo 2 | anote o visor do medidor no início e no fim | | Passo 3 | divida a diferença por duas para achar a hora | | Passo 4 | multiplique por 24 e por 30 para chegar ao mês |
O medidor da entrada do imóvel é o mesmo aparelho que a distribuidora usa para faturar, então o número que sai dele já é o número que vai para a conta. Duas horas com a casa parada bastam para separar a geladeira do resto.
Antes de trocar o aparelho, teste a borracha da porta com uma folha de papel. Feche a porta prendendo a folha na vedação e puxe. Se a folha sai com facilidade, a borracha perdeu a função, e trocar essa peça custa uma fração do preço de uma geladeira nova.
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