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ED 023

R$ 31,20 escondidos na porta da geladeira

A etiqueta do Inmetro imprime o consumo em kWh por mês, e a distância entre uma geladeira nova e uma de quinze anos cabe nessa linha.

A porta da geladeira com a etiqueta do Inmetro colada ao lado do puxador.

A etiqueta traz o custo mensal do aparelho

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A geladeira é o único aparelho da casa que nunca é desligado. Chuveiro liga por dez minutos, máquina de lavar roda duas vezes por semana, ar-condicionado descansa metade do ano. A geladeira trabalha 24 horas por dia, 365 dias por ano, desde o dia em que foi ligada na tomada, e ninguém aperta um botão sequer para autorizar cada hora de funcionamento.

Por trabalhar sem interrupção, ela costuma responder por algo entre 25 e 30 por cento do consumo elétrico de uma casa comum. É a maior fatia fixa da fatura, a parte que aparece mesmo no mês em que a família viajou, e é justamente a que ninguém tenta reduzir, porque desligar não é opção.

Só que existe um detalhe que separa uma geladeira de outra, e ele não tem relação nenhuma com hábito, com quantas vezes a porta é aberta ou com o que está guardado dentro. Tem relação com o motor, com a espessura do isolamento e com a idade do aparelho.

Duas geladeiras do mesmo tamanho, plantadas na mesma cozinha, ligadas nas mesmas 24 horas, podem entregar contas que diferem em dezenas de reais por mês. A que come menos não é a mais vazia nem a mais bem organizada. É a mais nova, e a diferença já vinha impressa antes da compra.

Esse número existe, é obrigatório por lei, vem colado na porta do aparelho na loja e some da memória de quase todo comprador no minuto seguinte. A etiqueta do Inmetro, aquele retângulo com barras coloridas de A até E, tem um quadro pequeno na parte de baixo que ninguém procura.

Nesse quadro está escrito o consumo do aparelho em quilowatt-hora por mês, medido em laboratório, na mesma unidade que a distribuidora usa para cobrar. É a única informação da loja inteira que se converte diretamente em reais, sem chute e sem promessa de vendedor.

Quem sabe ler essa linha compara duas geladeiras pelo custo de manter, não pelo preço de comprar. E descobre que a etiqueta é a peça mais barata de informação disponível numa decisão que dura dez anos.

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I  Fatura Linha a Linha

O quadro que ninguém procura na etiqueta

O número que a lei obriga a estar impresso na porta do aparelho.

A etiqueta do Inmetro traz o consumo em quilowatt-hora por mês impresso na porta: 39 kWh numa geladeira nova de classe A contra 78 kWh numa de quinze anos. É a mesma unidade que a distribuidora cobra.

A Etiqueta Nacional de Conservação de Energia é obrigatória e segue um desenho padronizado. No topo vem o nome do fabricante e o modelo. No meio, a escala de letras, com faixas coloridas que vão do verde escuro no A ao vermelho no E, e uma seta preta apontando a classe daquele aparelho específico.

A escala de letras é a parte que todo mundo olha, e ela sozinha não fecha conta nenhuma. Letra é ordenação, não valor. Duas geladeiras classe A podem consumir números diferentes, porque a classificação compara aparelhos dentro da mesma categoria de tamanho e de sistema de degelo.

O valor está embaixo. Procure a linha escrita consumo de energia, seguida de um número e da sigla kWh por mês. Numa geladeira de uma porta, capacidade em torno de 300 litros, classe A, esse número costuma ficar perto de 39.

Como transformar a etiqueta em reais na loja

Trinta e nove quilowatt-hora por mês é o consumo medido em teste padronizado, com o aparelho num ambiente controlado. Na sua cozinha o número sobe um pouco, porque a porta abre, comida quente entra e o verão aperta. Serve como base de comparação honesta entre modelos.

Multiplique esse valor pela tarifa real que você paga. Para achar a tarifa real, pegue a última fatura, divida o valor cobrado na linha de consumo pela quantidade de quilowatt-hora daquele mês e você chega ao preço com tributos já embutidos. No país, ela gira perto de R$ 0,80.

Trinta e nove vezes R$ 0,80 dá R$ 31,20 por mês de geladeira nova. Guarde esse valor, porque ele vira régua: qualquer aparelho que custe mais que isso todo mês está cobrando um aluguel silencioso da sua conta de luz.

Agora repita a operação com a etiqueta do modelo ao lado na loja. Se um custa R$ 200,00 a mais na compra e consome 8 quilowatt-hora a menos por mês, a diferença de consumo devolve R$ 6,40 mensais e paga os R$ 200,00 em pouco mais de dois anos, num aparelho que vai ficar na casa por dez.

O problema é que a maioria das pessoas nunca faz essa comparação com a geladeira que já tem em casa, porque ela não veio com etiqueta visível, ou porque a etiqueta se perdeu na primeira faxina. E é exatamente aí que mora a diferença mais cara.

 
 

II  Bandeira do Mês

Por que a de quinze anos come o dobro

Uma geladeira de quinze anos consome perto de 78 quilowatt-hora por mês, o dobro da nova de classe A. O aparelho não estragou, ele foi projetado num tempo em que o critério era outro.

Três peças explicam a diferença. A primeira é o compressor. Motores antigos giram em rotação única, ligam em potência cheia, resfriam e param. Compressores atuais modulam a rotação e trabalham quase sempre em carga parcial, um regime que gasta muito menos para segurar a mesma temperatura.

A segunda peça é o isolamento. A espuma de poliuretano injetada na parede do gabinete envelhece, perde densidade e deixa passar calor. Um aparelho de quinze anos precisa acionar o motor com mais frequência para segurar a mesma temperatura interna do que precisava quando saiu da fábrica.

A terceira é a borracha da porta, o item mais barato e o mais esquecido. Ela endurece, racha e para de vedar. Cada fresta de vedação é um convite para o ar quente da cozinha entrar sem parar, e o compressor responde ligando mais vezes por hora.

Somadas, as três peças explicam por que o mesmo espaço refrigerado custa o dobro numa geladeira antiga. Não é desleixo do morador. É engenharia de outra época mais desgaste acumulado.

"Esta Lei dispõe sobre a Política Nacional de Conservação e Uso Racional de Energia visando à alocação eficiente de recursos energéticos e à preservação do meio ambiente."

Brasil, Lei nº 10.295, artigo 1º, 2001.

O padrão mínimo de eficiência exigido por essa lei subiu ao longo dos anos. Uma geladeira aprovada como eficiente em 2011 seria reprovada hoje, e é por isso que comparar letra de etiqueta antiga com letra de etiqueta nova não funciona. A régua mudou de lugar.

Como medir a sua geladeira sem etiqueta

Se a etiqueta original sumiu, o teste que vale é medir o aparelho na sua cozinha:

Passo 1desligue tudo por duas horas, menos a geladeira
Passo 2anote o visor do medidor no início e no fim
Passo 3divida a diferença por duas para achar a hora
Passo 4multiplique por 24 e por 30 para chegar ao mês

O medidor da entrada do imóvel é o mesmo aparelho que a distribuidora usa para faturar, então o número que sai dele já é o número que vai para a conta. Duas horas com a casa parada bastam para separar a geladeira do resto.

Antes de trocar o aparelho, teste a borracha da porta com uma folha de papel. Feche a porta prendendo a folha na vedação e puxe. Se a folha sai com facilidade, a borracha perdeu a função, e trocar essa peça custa uma fração do preço de uma geladeira nova.

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III  Quanto em R$

R$ 31,20 por mês, R$ 374,40 por ano

A conta que interessa é a diferença entre os dois consumos. A geladeira nova de classe A pede 39 quilowatt-hora por mês. A de quinze anos pede 78. A diferença é de 39 quilowatt-hora, exatamente o consumo de um aparelho novo inteiro.

Multiplicada pela tarifa real de R$ 0,80 por quilowatt-hora, a diferença vira R$ 31,20 por mês na fatura. É o valor que a geladeira antiga cobra a mais todo mês para entregar o mesmo frio no mesmo espaço.

Os valores que entram na conta desta edição:

Consumo da geladeira nova classe A39 kWh por mês
Consumo da geladeira de quinze anos78 kWh por mês
Diferença de consumo39 kWh por mês
Tarifa real com tributosR$ 0,80 por kWh
Custo mensal da geladeira novaR$ 31,20
Custo mensal da geladeira antigaR$ 62,40
Diferença por mêsR$ 31,20
Diferença por anoR$ 374,40
Diferença em cinco anosR$ 1.872,00

Trezentos e setenta e quatro reais por ano é a régua que decide a troca. Uma geladeira nova de 300 litros e classe A sai por algo entre R$ 2.200,00 e R$ 2.800,00 dependendo da marca, e a economia de energia cobre esse valor em seis a sete anos, dentro da vida útil do aparelho.

"A oferta e apresentação de produtos ou serviços devem assegurar informações corretas, claras, precisas, ostensivas e em língua portuguesa sobre suas características, qualidades, quantidade, composição, preço, garantia e prazos de validade."

Brasil, Código de Defesa do Consumidor, Lei nº 8.078, artigo 31, 1990.

O roteiro antes de decidir a troca

Comece medindo. Faça o teste das duas horas com o medidor e descubra quantos quilowatt-hora a sua geladeira consome hoje. Sem esse número, a decisão de trocar vira palpite, e palpite de R$ 2.500,00 é caro demais.

Depois faça a manutenção barata. Troque a borracha da porta se ela não segura o papel, limpe a serpentina preta atrás do aparelho, que acumula poeira e atrapalha a troca de calor, e afaste a geladeira dez centímetros da parede para o ar circular. As três medidas juntas costumam derrubar o consumo de uma antiga em até 15 por cento.

Meça de novo depois de duas semanas. Se o consumo continuar acima de 65 quilowatt-hora por mês num aparelho de porte médio, a troca se paga. Se caiu para perto de 50, esperar mais um ou dois anos faz sentido.

Por último, na loja, ignore a letra sozinha e leia o número. Compare o consumo em quilowatt-hora por mês entre modelos do mesmo tamanho, multiplique cada um por R$ 0,80 e ponha a diferença mensal ao lado da diferença de preço na etiqueta de venda. A conta decide sozinha.

Uma geladeira antiga não avisa que está cobrando R$ 31,20 a mais por mês, e a única forma de descobrir é procurar um número que a lei obriga a estar impresso.

"Quantos quilowatt-hora por mês está escrito na etiqueta da sua geladeira?"

 
 
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Segundo a etiqueta do Inmetro citada na edição, quantos quilowatt-hora por mês consome uma geladeira nova, classe A, de cerca de 300 litros?

A78 kWh por mês
B39 kWh por mês
CR$ 31,20 por mês
D25 kWh por mês

Resultado da última edição: 0% acertaram.

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