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Sem hidrômetro, a conta de água vem por estimativa

Como a fatura sem medidor é calculada, como pedir a instalação do hidrômetro e quanto o valor muda quando a leitura começa.

Caixinha de concreto na calçada com o cavalete de canos sem medidor.

Um cavalete de canos, sem relógio no muro

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Uma torneira de quintal, um chuveiro elétrico, uma máquina de lavar de 12 quilos. Os três gastam água todo dia numa casa sem hidrômetro, e nenhum deles mexe no total da fatura.

O hidrômetro é o medidor de água: um relógio de metal ou plástico, preso aos canos na entrada do terreno, que conta os metros cúbicos que passam para dentro da casa. Cada metro cúbico equivale a mil litros.

Sem ele, a companhia de saneamento não tem leitura para lançar. Ela cobra por estimativa, um volume fixo atribuído ao imóvel a partir de critérios como a área construída, o número de cômodos ou o consumo de casas parecidas no bairro.

A estimativa tem uma propriedade que pesa no bolso: ela ignora o que acontece dentro da casa. A família pode trocar a descarga, consertar o vazamento da pia, lavar roupa duas vezes por semana em vez de quatro. O volume cobrado continua igual.

Casas sem medidor ainda aparecem em loteamentos antigos, em ruas que receberam a rede antes da instalação dos hidrômetros, em ligações provisórias que nunca foram regularizadas e em imóveis onde o aparelho quebrou, foi furtado ou foi retirado e não voltou.

Em boa parte desses casos, o morador nem sabe que a casa não tem relógio. A fatura chega com um número de metros cúbicos impresso, parecido com o de qualquer vizinho, e dá a impressão de que alguém passou ali e anotou a leitura. O total é estável, o que até parece boa notícia.

Ninguém anotou nada. O número foi calculado uma vez, gravado no cadastro e repetido mês após mês. Ele só muda quando a companhia revisa o critério da estimativa ou quando o medidor é finalmente instalado no muro.

Enquanto o relógio não chega, toda economia feita dentro de casa fica invisível para a conta.

A pista está numa palavra pequena da fatura, no quadro de leitura, justamente onde deveria aparecer o número do relógio. É por ela que a leitura começa.

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I  Fatura Linha a Linha

A linha que diz consumo estimado

Toda fatura de água tem um quadro de leitura. Numa casa com medidor, ele traz a leitura anterior, a leitura atual e a diferença entre elas, que é o consumo do mês em metros cúbicos.

Numa casa sem hidrômetro, esse quadro fica incompleto. As duas leituras aparecem em branco, zeradas ou trocadas por traços, e o consumo vem acompanhado de uma marca que denuncia a origem do número.

O rótulo muda de companhia para companhia, mas cabe em poucas palavras, sempre perto do volume cobrado.

Os rótulos da estimativa

• “Consumo estimado” ou só “Estimado”

• “Sem hidrômetro” ou a sigla “S/ HD”

• “Consumo presumido” ou “Fixo”

• “Média”, ou um código com legenda no verso

Alguns desses códigos também aparecem em casas com medidor, nos meses em que o leiturista não consegue chegar ao relógio. O portão estava trancado, o cachorro estava solto, o cavalete ficou atrás de uma obra. A companhia cobra pela média das leituras anteriores e acerta a diferença na leitura seguinte.

A casa sem hidrômetro não tem leitura seguinte. O acerto nunca chega, porque não existe relógio para mostrar quanto a família de fato gastou.

Se um volume idêntico em metros cúbicos se repete em todas as faturas do ano, com as leituras em branco, a conta não está medindo a casa. Ela está copiando um número do cadastro.

Há um segundo teste, feito na rua. Vá até o muro ou a calçada, no ponto em que o cano da rede entra no terreno. Ali fica o cavalete (o conjunto de canos, registro e conexões onde o medidor se encaixa), quase sempre dentro de uma caixinha de concreto ou de metal com tampa.

Abra uma torneira da casa e olhe o cavalete. Se houver um relógio com ponteiros ou números girando, a casa tem medidor. Se houver só um cano reto ligando as duas pontas, ou nenhum cavalete, a água entra sem contagem.

A terceira prova está no aplicativo da companhia. Na aba de dados do imóvel, o campo do hidrômetro traz um número de série quando o aparelho existe. Campo vazio ou com a expressão “não instalado” confirma o que a fatura já sugeria.

Guarde a fatura mais recente e anote o volume estimado. Ele vai servir de comparação quando o medidor começar a contar.

 
 

II  Bandeira do Mês

O protocolo que chama o medidor

A Lei 11.445, de 2007, que organiza o saneamento básico no país, prevê que a tarifa leve em conta o volume consumido. A cobrança por estimativa fica para quando a medição não acontece.

A instalação do hidrômetro raramente parte da companhia. Ela entra numa fila de serviços, e a casa que não pede costuma ficar para o final.

A solicitação formal tem três canais: o aplicativo ou site da companhia, o atendimento telefônico e a agência presencial. Os três geram protocolo, o número que comprova a data da solicitação e permite cobrar a resposta depois.

Como pedir a instalação

1. Separe a última fatura e anote a matrícula (o código de cadastro do imóvel na companhia)

2. Abra o serviço de instalação de hidrômetro ou uma reclamação de conta estimada

3. Informe que o imóvel é cobrado por estimativa e peça a medição do consumo real

4. Pergunte o prazo de execução e se o serviço tem custo

5. Anote o protocolo, a data e o nome de quem atendeu

O prazo não é igual no país inteiro. Cada agência reguladora estadual publica uma resolução de condições gerais do serviço, e o regulamento da companhia segue essa resolução. Ali está o número de dias que a empresa tem para vistoriar o imóvel e instalar o aparelho.

Quem não encontra o documento pode exigir a informação no atendimento. O prazo precisa constar do protocolo, e o atendente tem de dizer em quantos dias a equipe vai até a casa.

Sem prazo anotado, não há atraso para reclamar. O protocolo com a data da solicitação e o prazo informado transforma a espera em descumprimento.

Antes da instalação, a companhia pode mandar um técnico para vistoria. Ele confere se o cavalete existe e se segue o padrão exigido. Em muitas companhias, o cavalete fica por conta do morador, e a equipe só volta para encaixar o medidor depois da adequação.

O hidrômetro costuma pertencer à companhia. Algumas incluem a instalação no serviço sem cobrança à parte; outras lançam o valor na fatura, às vezes parcelado. A resposta sai no atendimento, e vale pedir que fique escrita no protocolo.

Se o prazo vencer sem visita, a reclamação sobe por degraus: ouvidoria da companhia, depois a agência reguladora indicada no rodapé da fatura. O Procon e o Juizado Especial Cível vêm em seguida, com o protocolo e as faturas estimadas em mãos.

 

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III  Quanto em R$

Os R$ 504 que a estimativa leva por ano

Os números desta seção usam uma premissa declarada, porque cada companhia tem a sua tabela: estimativa de 18 metros cúbicos por mês, R$ 7 por metro cúbico já somado tudo o que a fatura cobra sobre o volume, e uma família que gasta 12 metros cúbicos de fato. Troque pelos números da sua conta.

Com a estimativa, a fatura cobra 18 metros cúbicos todo mês: R$ 126. Com o medidor contando 12, a cobrança cai para R$ 84. A diferença mensal fica em R$ 42.

A conta, aberta linha por linha:

• Estimativa mensal: R$ 126

• Consumo medido: R$ 84

• Diferença por mês: R$ 42

• Diferença em 12 meses: R$ 504

Numa casa que gasta menos que a estimativa, cada mês sem hidrômetro deixa R$ 42 na fatura. Em um ano, R$ 504 por água que não entrou no terreno.

A estimativa também pode errar para baixo. Uma casa com seis pessoas, piscina ou horta irrigada pode gastar bem acima do volume atribuído. Nesse caso, o medidor faz a conta subir, e convém saber antes de pedir.

Dá para prever o resultado sem relógio, usando a caixa d'água. Feche o registro de entrada à noite, marque o nível com fita crepe, use a casa normalmente até a manhã seguinte e meça quantos centímetros baixou. Reabra o registro logo depois.

A altura que baixou, multiplicada pela área do fundo da caixa, dá os litros do dia. Multiplique por 30 e divida por mil para chegar aos metros cúbicos do mês, e compare com o volume estimado da fatura.

Depois da instalação, a fatura muda de cara. O quadro de leitura começa a trazer a leitura anterior e a atual, e o rótulo da estimativa some.

A primeira fatura medida pode vir proporcional, com parte do mês estimada e parte lida, conforme a data em que o aparelho entrou. Da segunda em diante, o valor acompanha o consumo de cada mês.

Com o relógio no muro, a economia feita dentro de casa aparece na conta. O vazamento consertado e o banho mais curto caem na fatura seguinte.

“Quantos metros cúbicos a sua fatura cobra, e quantos a sua casa gasta pelo relógio?”

Hoje: abra a última fatura de água, procure no quadro de leitura uma das quatro marcas de estimativa e vá até o cavalete conferir se há relógio. Se faltar o medidor, abra o protocolo de instalação até amanhã às 18h.

 
 

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No texto, qual é o nome do conjunto de canos, registro e conexões, na calçada ou no muro, onde o hidrômetro se encaixa?

ACalibrador
BRegistro geral
CCavalete
DRamal de entrada

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